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Across The Universe – EUA/Inglaterra (2007)



Sinopse: Jude (Jim Sturgess) é um pobre jovem inglês que almeja uma carreira como artista plástico e, para alcançar seus objetivos, abandona sua vida em Liverpool rumo aos EUA com muitos sonhos no bolso. Ao chegar nos Estados Unidos, Jude conhece Lucy (Evan Rachel Wood), por quem se apaixona e ambos vivem uma história de amor musical durante os anos conturbados da guerra do Vietnam. Across The Universe é um filme para os amantes de musicais, musicas, e principalmente, Beatles! (Dir: Julie Taymor)

É um balé de imagens e sons que desfraldam sobre a tela. Por essa acredito que nem os "Fab. Fours" esperavam. Imaginem a união da poesia e da musicalidade do quarteto de Liverpool expressa em um filme. Across the Universe conseguiu em um único filme mostrar toda a trajetória da banda que mudou a forma como o mundo ouvia a música, mostrando todas suas fases sem ao menos citar o nome de um dos integrantes. O filme começa assim como eles começaram, com roupas engomadas e cenários simples, no melhor estilo "Os reis do Ye Ye Ye". Passando por sua fase mais psicodélica e cheia de cores e terminando com um apelo de paz mundial. Essas três fases são o pano de fundo da história de amor entre Lucy e Jude (por sinal, Jude é de uma semelhança incrível ao Paul MacCartney).

O filme tem todas as qualidades que exige um bom musical. Contou com arranjadores que fizeram com que os sucessos dos Beatles ficassem com uma roupagem digna de um clássico musical, fazendo com que músicas que já eram boas, ficassem como novas. As coreografias foram um show a parte que, junto com a cenografia e figurino, fizeram com que toda a musicalidade do filme (e dos Beatles é claro) ganhasse forma física e cores. A fotografia se torna uma estrela a parte, já que é ela que foi capaz de explicitar cada uma das fases da banda. E além de toda essas qualidades visuais, conseguiu fazer um registro de um momento conturbado da história mundial, mostrando indiretamente ícones da época (como Jimmi Hendrix e Janis Jopplin) ou fazendo alusões mais diretas (como a aparição de cenas do Martin Luther King e Mao Tse Tung). Fez também uma alusão muito interessante sobre os manifestantes a favor da paz que em muitos momentos contradiziam seus ideais defendendo a força uma idéia de paz.

Realmente Across the Universe conseguiu, em um musical, demonstrar toda a completude de sentidos das musicas dos Beatles e de quebra dar uma nova roupagem para clássicos como black bird, Let be (que por sinal é cantada numa das cenas mais tocantes do filme) e Just little help from my friends. Uma vez uma amiga minha disse "não há nada que pensem fazer em termos de música que os Beatles ou seus integrantes já não tenham feito", e hoje eu digo que esse filme com certeza chegou próximo disso.

L'auberge Espagnole - França/Espanha (2002)



Sinopse: Na atual União Européia existe um programa de intercâmbio cultural e acadêmico chamado "Erasmus" e é nesse contexto em que se desenrola a trama de L'auberge Espagnole. A história é contada sobre a ótica e narração de Xavier, Um francês que por necessidades profissionais se candidata a participar do projeto Erasmus, indo para a Espanha, onde acaba morando com mais seis pessoas, sendo que cada uma dessas pertence a nacionalidades distintas, formando assim uma estranha e peculiar torre de babel. Altamente recomendado para os ex-universitários nostálgicos de plantão!

Eu sei que eu sou um dos últimos a assistir esse filme, que ele não é novidade nenhuma para muitos, mas tudo bem.

Bom o meu relato sobre esse filme não terá filtro algum de imparcialidade. Ele será mais um relato visceral do que propriamente um comentário ou mesmo uma crítica do filme.

Ah...Como me senti em casa ao ver esse filme. De repente todas as experiências que tive em quatro anos me foram expressas em apenas duas horas. Albergue espanhol consegue mostrar com uma boa parcela de realidade como é a vida de alguém que sai da sua casa para estudar fora.Tudo bem que o choque cultural que o protagonista sofre não se compara com minha experiência. Eu não saí do país, mas troquei de estado. Mas como moro num país de dimensões continentais, posso dizer que quase percorri a mesma distância que ele. Fui parar em Londrina. Já morei em vários lugares, mas nenhum desses lugares me proporcionou o que Londrina foi capaz de me dar. Acredito que nunca havia sido tão próximo de mim em toda a vida. Acredito que por essa experiência em particular eu tenha me identificado tão profundamente nesse filme. Sou como Xavier, que somente quando teve a experiência de morar com outras pessoas, que não fossem parentes, que pode enfim transparecer tudo aquilo o que realmente se é. Independente de seus defeitos e trejeitos. Uma cena que talvez para outros olhos seja apenas um apelo dramático foi um perfeito retrato do que sinto hoje. A cena em questão é uma das últimas, onde Xavier passeia pelas ruas de Paris e encontra um grupo de estudantes do "Erasmus" e ao vê-los forma-se em sua fronte uma expressão de profunda nostalgia de um período tão efêmero, mas que foi capaz de talhar marcas eternas em sua vida. Fica aqui um pequeno desabafo de alguém que também sente dessa forma e também sabe que por mais que sonhe e queira, essa época não retornará. Obrigado a todos com quem tive os prazeres e desprazeres de conhecer durante minha estadia em Londrina. Daqui algum tempo eu postarei a continuação desse filme, que se chama “Les Poupées russe”, e que por sinal assisti há um ano atrás em Londrina, mas devido ao impacto que L'auberge Espagnole causou em mim, torna-se necessário comentar o desfecho desse filme e também o de minha vida, mas isso ao futuro pertence. Au revoir...

Cisne Negro

Cisne Negro (Black Swan) é um daqueles filmes que agregam poesia, música, suspense, drama, metáfora, loucura. Tudo na mais perfeita harmonia. Ao final da sessão restou apenas o silêncio, pois faltam palavras para defini-lo. Entretanto, vou tentar assim mesmo. Desde já peço perdão pela audácia e por alguns spoilers.
O filme é intenso - e tenso - do começo ao fim. O diretor Darren Aronofsky dirigiu com maestria o filme. Ele usou vários closes e muita câmera na mão, para evidenciar o conflito e sofrimento da personagem Nina Sayers (Natalie Portman). Nina é uma dançarina de balé que consegue o papel de protagonista na adaptação do espetáculo Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky. Porém, ela terá que interpretar o Cisne Branco, doce e inocente, assim como ela. E, também, o Cisne Negro: provocador, cínico e sensual, características que Nina terá que descobrir em si mesma durante os ensaios.
Natalie Portman tornou a interpretação de sua personagem algo tão real que chega a assustar, dado o conflito pelo qual Nina passa durante o filme. Com certeza o filme não seria o mesmo sem ela. O cenário parece uma extensão da mente da personagem: os corredores do teatro parecem os labirintos dos seus pensamentos. Seu reflexo nos espelhos e nas janelas do metrô levam-na do mundo real para imaginação. Nesse sentido, lembra um pouco Alice no País das Maravilhas. Para desenvolver uma personagem assim é preciso mergulhar no mais profundo da interpretação, a fim de que não pareça uma interpretação. Essa experiência pode ser muito perigosa, vide o exemplo de Heath Ledger ao interpretar o Coringa.
Mas vale lembrar, também, a importância dos outros personagens na trama e, principalmente, para o próprio desenvolvimento da personagem de Natalie Portman, já que Nina é a trama personificada.
Thomas Leroy (Vincent Cassel) é mais que um diretor do espetáculo. Seu papel é provocar Nina de todas as formas, para que ela encontre e explore o seu Cisne Negro. Erica (Barbara Hershey), mãe de Nina, é uma ex-dançarina frustrada que tenta proteger sua filha dela mesma, ao mesmo tempo que, sem perceber, empurra a filha mais ainda ao seu abismo psicológico. Nina ainda tem que enfrentar a fúria e a inveja de sua antecessora Beth MacIntyre (Winona Ryder). Além disso, surge na companhia uma nova bailarina, Lilly, uma garota com a personalidade ideal para interpretar o Cisne Negro.
Ness momento, Nina tem em Lilly sua melhor amiga e ao mesmo tempo sua pior inimiga. Lilly é uma garota sensual e provacante que tenta ajudar sua colega a despertar o Cisne Negro que há dentro dela. Aliás, Mila Kunis, que interpreta Lilly, também está esplêndida em seu papel. Sem dúvida, poderia ter sido indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Mila Kunis foi uma bela surpresa, em todos os sentidos. Pois, apesar de já ter provado ser uma boa atriz, tanto no cinema quanto em séries, sua personagem Lilly com certeza é o maior papel de sua carreira, e ela o fez por merecer.
O filme deixa muitas perguntas no ar: será que Lilly realmente existe? Será que ela não seria um alter-ego ou o Cisne Negro escondido em Nina? Essas respostas só podem ser descobertas assistindo o filme. E, mesmo assim, as respostas não são muito claras. Mas, essa é a grande beleza do cinema: fazer o espectador pensar, deixá-lo em dúvida, provocar. Assim como faziam Stanley Kubrick, David Lynch, Luís Buñuel, Michelangelo Antonioni e tantos outros. Para mim, Cisne Negro faz lembrar o valor da palavra Cinema.

A Origem


A Origem, filme escrito e dirigido por Christopher Nolan, surpreendeu muitas pessoas, pelo seu enredo ousado e, em alguns aspectos, inovador. Apesar de ser um filme nos moldes da linguagem cinematográfica hollywoodiana, um blockbuster, não se pode ignorar a riqueza dos entrelaços da história.
Logo na primeira cena do filme somos levados ao mundo dos sonhos, ou seja, transportados para a trama, de uma forma que se torne praticamente impossível não envolver-se com cada cena que vem uma após a outra. Não é fácil ver um filme que consiga prender a atenção do público durante praticamente duas horas e meia. Talvez, isso aconteça, porque a dúvida costuma aguçar a curiosidade e, estes dois elementos estão presentes durante todo filme.
Como já foi dito, A Origem não inovou no sentido da linguagem cinematográfica - e isso não é necessariamente um demérito - afinal, o filme é claramente dividido em três partes. A primeira parte é mais explicativa, a segunda apresenta o problema, e a terceira parte é a resolução deste problema. Estas três partes estão muito bem amarradas entre si. Por conta disso o desenrolar da história poderia tornar-se óbvio. Poderia. Isso não acontece, graças aos elementos que Christopher Nolan criou. Cada cena é uma parte do quebra-cabeça, que estão espalhados durante o desenrolar da trama.
Os elementos constituentes do filme estão muito bem entrosados, a fotografia muda de acordo com a profundidade do sonho. A trilha sonora é pesada na hora certa. E os efeitos especiais, apesar de serem fantásticos, não ofuscam a qualidade do roteiro e interpretações. E por falar em interpretações, nem precisa dizer que o elenco é estrelar e faz por merecer esse nome.
É inegavel a influência de Matrix, dos irmãos Wachowski, no filme de Nolan, já que ambos lidam diretamente com a noção de realidade. Mas, no caso de A Origem, a busca não está em resolver o problema numa escala global, mas, tratam-se de profissionais que ganham a vida com esse trabalho de viajar no sonhos. Além, do desejo particular do personagem de Leonardo Di Caprio em voltar para casa e reencontrar seus filhos.
A inovação de Nolan está na forma como ele tratou o tema, que apesar de Matrix, ainda é um tema não muito explorado por hollywood. Parece ser uma característica do diretor/roteirista, de fazer filmes que aparentam ser no velho formato "enlatado", porém surpreendem pela forma como o enredo desenvolve-se. Vale a pena conferir sua filmografia.
A Origem mostra uma evolução na carreira de Christopher Nolan que, acredito eu, ainda não chegou ao fim.

Resenha da jornalista Anelize Moreno sobre o curta "O que elas fazem no banheiro?!"


A jornalista Anelize Moreno, de Rondonopolis-MT, fez uma resenha muito bacana do curta "O que elas fazem no banheiro?!" que vale a pena ler, dando um olhar embasado e teórico a ideia principal do vídeo. Curtam o trabalho dela! Valeu!


“O que elas fazem no banheiro!?”: a vingança feminina

Por Anelize Moreno*

Um assunto aguça a curiosidade de muitos rapazes e sempre permeia as rodinhas de bate-papo, especialmente entre os adolescentes. Não é raro, em grupinhos de amigos, surgir o questionamento: porque as mulheres vão sempre juntas ao banheiro?

Se aproveitando desta dúvida, que faz parte do imaginário masculino, o curta-metragem “O que elas fazem no banheiro!?”, recém-produzido, apresenta, como sugere o título, uma resposta peculiar para aquilo que se coloca como o tema central do vídeo.

Uma pesquisa rápida pela Internet mostra que a proposta da nova produção não é original. Isso não prejudica, no entanto, o fator surpresa que acompanha a resposta da pergunta-título, nem o certo desconforto que tal solução pode provocar em alguns espectadores.

Em “O que elas fazem no banheiro!?”, o diferencial não está na simples solução para o questionamento do título, que seria o óbvio. A singularidade vem da situação-problema delegada ao plano de fundo da história, ou seja, que antecede o desfecho.

Embora a parte visual da obra não traduza completamente a densidade que o roteiro propõe, é possível entrar no universo das personagens e sentir aquilo que desencadeou o que é o ponto alto do enredo.

Aqui, vale um parêntese a respeito dos temas secundários explorados no curta-metragem, com destaque para o machismo das personagens masculinas e para a reação das personagens femininas à situação de isolamento afetivo que lhes é colocada. É ai que está a chave da trama.

Ao verem “O que elas fazem no banheiro!?”, muitas mulheres vão se sentir vingadas pelas vezes que foram deixadas para escanteio – num trocadilho com um dos temas abordados no vídeo. Já os homens, certamente vão repensar o grau de atenção que têm dedicado às suas namoradas/mulheres.

* Anelize Moreno é jornalista
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