A Origem


A Origem, filme escrito e dirigido por Christopher Nolan, surpreendeu muitas pessoas, pelo seu enredo ousado e, em alguns aspectos, inovador. Apesar de ser um filme nos moldes da linguagem cinematográfica hollywoodiana, um blockbuster, não se pode ignorar a riqueza dos entrelaços da história.
Logo na primeira cena do filme somos levados ao mundo dos sonhos, ou seja, transportados para a trama, de uma forma que se torne praticamente impossível não envolver-se com cada cena que vem uma após a outra. Não é fácil ver um filme que consiga prender a atenção do público durante praticamente duas horas e meia. Talvez, isso aconteça, porque a dúvida costuma aguçar a curiosidade e, estes dois elementos estão presentes durante todo filme.
Como já foi dito, A Origem não inovou no sentido da linguagem cinematográfica - e isso não é necessariamente um demérito - afinal, o filme é claramente dividido em três partes. A primeira parte é mais explicativa, a segunda apresenta o problema, e a terceira parte é a resolução deste problema. Estas três partes estão muito bem amarradas entre si. Por conta disso o desenrolar da história poderia tornar-se óbvio. Poderia. Isso não acontece, graças aos elementos que Christopher Nolan criou. Cada cena é uma parte do quebra-cabeça, que estão espalhados durante o desenrolar da trama.
Os elementos constituentes do filme estão muito bem entrosados, a fotografia muda de acordo com a profundidade do sonho. A trilha sonora é pesada na hora certa. E os efeitos especiais, apesar de serem fantásticos, não ofuscam a qualidade do roteiro e interpretações. E por falar em interpretações, nem precisa dizer que o elenco é estrelar e faz por merecer esse nome.
É inegavel a influência de Matrix, dos irmãos Wachowski, no filme de Nolan, já que ambos lidam diretamente com a noção de realidade. Mas, no caso de A Origem, a busca não está em resolver o problema numa escala global, mas, tratam-se de profissionais que ganham a vida com esse trabalho de viajar no sonhos. Além, do desejo particular do personagem de Leonardo Di Caprio em voltar para casa e reencontrar seus filhos.
A inovação de Nolan está na forma como ele tratou o tema, que apesar de Matrix, ainda é um tema não muito explorado por hollywood. Parece ser uma característica do diretor/roteirista, de fazer filmes que aparentam ser no velho formato "enlatado", porém surpreendem pela forma como o enredo desenvolve-se. Vale a pena conferir sua filmografia.
A Origem mostra uma evolução na carreira de Christopher Nolan que, acredito eu, ainda não chegou ao fim.

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